A biblioteca escolar é um espaço essencial para a aprendizagem, a leitura, a pesquisa e a formação cidadã. Mais do que uma sala com livros, ela deve ser uma unidade de informação organizada, acessível e integrada ao planejamento pedagógico, com coordenação técnica de bibliotecário devidamente habilitado e registrado no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB).

É esse o propósito da campanha #SouBibliotecaEscolar, iniciativa do Sistema Conselho Federal de Biblioteconomia/Conselhos Regionais de Biblioteconomia (Sistema CFB/CRB): mobilizar o poder público, as instituições de ensino e a sociedade para o cumprimento da legislação sobre bibliotecas escolares e para a presença de bibliotecários nesses espaços.

O que é o movimento #SouBibliotecaEscolar?

A campanha #SouBibliotecaEscolar foi lançada pelo Sistema CFB/CRB durante a 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2022. Seu objetivo é articular profissionais, gestores públicos, parlamentares, escolas e a sociedade para que a Lei nº 12.244/2010 seja efetivamente cumprida e para que todas as escolas brasileiras tenham bibliotecas com bibliotecários.

A iniciativa reforça uma mensagem simples, mas decisiva: não basta que a escola tenha livros ou uma sala de leitura. É necessário que a biblioteca escolar seja estruturada como ambiente de aprendizagem, com organização técnica, acervo acessível, serviços planejados e responsabilidade profissional.

A campanha também valoriza a biblioteca como espaço de democratização da informação, incentivo à leitura, apoio ao currículo, construção de repertório e desenvolvimento da autonomia dos estudantes. O CRB-3 destaca que o movimento busca valorizar bibliotecas como espaços de acesso à informação e à leitura, fortalecimento da educação e construção da cidadania.

Biblioteca escolar não é apenas uma sala de livros

Muitas instituições possuem livros guardados em armários, em salas de aula ou em espaços identificados informalmente como “biblioteca”. Embora esses materiais possam ser importantes, a existência de livros, por si só, não assegura que a escola tenha uma biblioteca organizada, funcional e adequada às exigências aplicáveis.

Uma biblioteca escolar deve ser pensada para atender estudantes, professores, gestores e toda a comunidade educativa. Isso exige planejamento e processos técnicos, incluindo:

A Resolução CFB nº 220/2020 estabelece parâmetros para a estruturação e o funcionamento das bibliotecas escolares. Ela orienta que a biblioteca seja compreendida como parte do processo educativo, com condições de espaço, acervo, serviços e gestão adequadas à comunidade escolar.

Por que a biblioteca deve ter bibliotecário(a)?

A presença de um bibliotecário não é um detalhe administrativo. É a garantia de que a unidade será tecnicamente planejada, organizada e acompanhada por profissional habilitado para gerir informações, acervos e serviços de biblioteconomia.

Somente o bibliotecário possui formação específica para aplicar métodos de organização da informação, classificar e catalogar obras, criar critérios de aquisição e descarte, estruturar políticas de acervo, realizar inventários, orientar usuários e apoiar projetos de leitura e pesquisa.

A cartilha “A Biblioteca Escolar”, produzida pelo CFB em conjunto com os CRBs, foi elaborada justamente para esclarecer gestores de escolas públicas e privadas sobre o funcionamento da biblioteca escolar, as normas aplicáveis e a necessidade de haver bibliotecário em cada biblioteca. O material também foi concebido para apoiar ações de fiscalização profissional.

Assim, contratar um serviço de bibliotecário é uma medida que contribui simultaneamente para:

Lei nº 12.244/2010 e adequação ao MEC

A Lei nº 12.244/2010 trata da universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país. Em 2024, a Lei nº 14.837 atualizou a legislação, redefiniu a biblioteca escolar como equipamento cultural obrigatório e necessário ao desenvolvimento do processo educativo e criou o Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares (SNBE).

A atualização legal reforça a necessidade de que escolas públicas e privadas adotem medidas para estruturar suas bibliotecas conforme a quantidade de estudantes matriculados, as especificidades locais e as diretrizes educacionais aplicáveis. A adequação ao MEC deve considerar a biblioteca não como um setor isolado, mas como uma estrutura que complementa o currículo e apoia a qualidade da educação.

Para a instituição, a conformidade exige uma visão completa: espaço adequado, acervo acessível, documentação organizada, rotinas de funcionamento, integração pedagógica e responsabilidade técnica compatível com as exigências profissionais.

É importante observar que a redação original da Lei nº 12.244/2010 mencionava, no parágrafo único do antigo art. 2º, o parâmetro de ao menos um título por aluno matriculado. Com a alteração de 2024, a legislação passou a prever acervo mínimo de livros e materiais de ensino conforme o número de estudantes e as especificidades da realidade local, sem repetir aquele número fixo.

Fiscalização e multa do CRB: entenda os riscos

A regularização de bibliotecas deve ser tratada de forma preventiva. A falta de bibliotecário habilitado, a ausência de responsabilidade técnica, a organização insuficiente do acervo e a inexistência de documentação podem gerar notificações, autos de infração e processos de fiscalização conduzidos pelos Conselhos Regionais de Biblioteconomia.

Em 2022, o CRB-6 realizou 672 fiscalizações em Minas Gerais e no Espírito Santo — 605 em Minas Gerais e 67 no Espírito Santo. Naquele ano, a fiscalização resultou em 278 autos de infração e 370 autos de regulamentação. O Conselho também informou que identificou 48 instituições sem bibliotecário e 10 profissionais sem registro no CRB.

Nesse contexto, tratar a fiscalização e multa do CRB apenas quando a instituição já recebeu uma notificação é uma escolha de alto risco. Além de possíveis impactos financeiros e administrativos, a escola pode precisar implementar medidas corretivas sob prazo, interrompendo a rotina e pressionando a equipe interna.

A regularização preventiva permite que a instituição faça os ajustes de maneira planejada: com diagnóstico, cronograma, priorização de riscos, organização documental e apoio técnico especializado.

Como realizar a regularização de bibliotecas?

A regularização de bibliotecas não deve ser baseada em uma solução única para todas as escolas. Cada instituição possui um porte, uma quantidade de alunos, uma estrutura física, um acervo e um contexto pedagógico próprios.

Um processo técnico de regularização pode incluir:

Diagnóstico de conformidade

Avaliação da estrutura física, do acervo, da documentação, dos procedimentos e da presença de responsabilidade técnica.

Levantamento e inventário do acervo

Identificação dos materiais existentes, verificação de quantidade, estado de conservação, relevância pedagógica e necessidades de atualização.

Tratamento técnico da informação

Organização, classificação, catalogação, indexação, etiquetagem e disponibilização do acervo para consulta e empréstimo.

Elaboração de documentos e rotinas

Desenvolvimento ou revisão de regulamento, política de formação e desenvolvimento de coleções, normas de empréstimo, relatórios e controles internos.

Adequação do espaço e dos serviços

Orientação sobre áreas de atendimento, estudo, leitura, processamento técnico, acessibilidade e uso da biblioteca pela comunidade escolar.

Contratação de serviço de bibliotecário

Disponibilização de profissional formado em Biblioteconomia e com registro ativo no CRB para exercer a responsabilidade técnica e coordenar as atividades biblioteconômicas.

Integração com a equipe pedagógica

Planejamento de ações de leitura, pesquisa e educação para o uso da informação em parceria com professores e coordenação.

Serviço de bibliotecário: uma solução para escolas

Nem toda escola precisa estruturar internamente uma grande equipe exclusiva para atender às necessidades de sua biblioteca. Entretanto, toda instituição deve assegurar que suas atividades sejam coordenadas de modo tecnicamente responsável, com participação de bibliotecário habilitado e registro profissional ativo.

O serviço de bibliotecário oferecido pela Bibliogest apoia escolas em diferentes estágios de maturidade: instituições que estão iniciando a organização do espaço, escolas que precisam se preparar para fiscalização, redes que desejam padronizar suas bibliotecas e organizações que buscam tornar o acervo uma ferramenta efetiva de aprendizagem.

A atuação pode abranger diagnóstico, organização de acervo, inventário, documentação, orientação de processos, responsabilidade técnica e acompanhamento da implantação das melhorias necessárias.

A biblioteca escolar como compromisso com a educação

O movimento #SouBibliotecaEscolar chama atenção para uma responsabilidade coletiva: garantir que estudantes tenham acesso a bibliotecas vivas, organizadas, inclusivas e conectadas ao processo de aprendizagem.

Para gestores educacionais, regularizar a biblioteca é uma decisão que reduz riscos de fiscalização e multa do CRB, fortalece a adequação ao MEC e melhora a capacidade da escola de entregar uma educação mais completa. Para estudantes, representa acesso à leitura, à pesquisa, à cultura e à informação de qualidade.

A Bibliogest apoia instituições públicas e privadas na regularização de bibliotecas, na organização técnica de acervos e na disponibilização de serviço de bibliotecário com CRB ativo. Solicite um diagnóstico técnico da sua biblioteca escolar e identifique, com segurança, as prioridades para adequação da sua instituição.

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